Talentos

Travessias

Hoje tive uma conversa silenciosa com Deus.
Fui participar de uma prova de revezamento em duplas, natação no mar, com o total de 8 km, sendo que cada um nadaria 4 km.
Na minha parte nadei quase todo o percurso sozinho, sem ninguém visível a frente ou atrás. Experiência única, pois geralmente como faço provas de distâncias menores nunca isso é possível.
Então, mar muito ondulado e bastante mexido. Logo no inicio sabia que mais que técnica ou esforço físico, o diferencial seria a concentração, a parte mental. Como, geralmente, cantar é minha reza e concentração, ali não seria possível utilizá-la por motivos óbvios (rsrs).
Comecei, então a bater um papo silencioso com o SER superior, que acho que também é desportista.
Fui pensando em momentos turbulentos por que passei, aliás quem não passa? E como isso me tornou mais sábio.
No momento em que os trechos ficavam mais turbulentos fui fazendo uma analogia, aos momentos que estamos confusos e queremos achar atalhos para sair daquela situação e geralmente essa alternativa não é a mais produtiva/eficiente.
Antes da prova, colegas nadadores mais experientes me disseram: não passe entre as pedras, pois aparentemente é o caminho mais curto, porém é um verdadeiro “liquidificador”, alusão à forte correnteza que proporciona um enorme dispêndio energético; abra mais o percurso e passe por trás das pedras, um caminho mais longo, porém mais aconselhável.
Quando cheguei ao dito trecho a tentação do caminho “mais curto” surgiu forte, contudo não fui TEIMOSO e segui o prescrito pelos colegas.
Nos momentos de perdas, recomeços e de seguir novos caminhos, a tendência é querermos rapidamente passar pelo desconforto, dor. Porém fazer um percurso mais longo e com mais tempo nos fortalece e energiza, por mais que achemos o contrário.
Durante esse nosso bate papo fui dizendo o quanto sou agraciado por esse SER: filhas lindas, irmãos maravilhosos, companheira amorosa e incentivadora, saúde e, principalmente, a possibilidade de viver em um ambiente esportivo, onde impera o espirito colaborativo e de humanidade tão raros em outros espaços sociais.
Se internamente você não tiver claro o que te move, valores e condutas que lhe são vitais, pode ficar refém do outro, que sem lhe conhecer, quer passar um padrão de SER e AGIR, rotulando e julgando sobre o que não conhece.
Voltando para a prova (rsrs)...quando acabei o trecho que nunca tinha nadado e visualizei a Ilha do Socó-Praia, na praia de Camburi, onde nado deste pequeno, “me senti em casa”, acolhido e com a certeza de que, apesar de faltarem 1,5 km, águas mais tranquilas me levariam ao final do percurso.
Atualmente segurança e estabilidade parecem ter se transformado e virado sinônimo de acomodação e letargia. E o lema atual é “Sair da Zona do Conforto” e estar sempre buscando as mudanças que lhe ditam e não uma atitude reflexiva/internalizada de crescimento.
Hoje sou sim, no que concerne às opções e caminhos diversos de cada UM, seletivo com amizades, lugares e pensares. Fugindo da minha preocupação de parecer egoísta, pois, mais que direito, temos o dever de cultivarmos a nossa individualidade respeitando a nós mesmos, aos outros, à natureza, ao planeta terra e ao Universo.
No final desse nosso papo agradeci ao SER por sua imensa bondade e que travessias e papos como estes sejam mais frequentes.






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Inspiração

A minha ideia surgiu após participar de uma Travessia em águas abertas.
Cheguei em casa e registrei a minha experiência em anotações.

Sobre a obra

Minha obra foi fruto de minha participação em uma travessia em Águas Abertas(natação) e chegando em casa registrei em um esboço no caderno.

Sobre o autor

Mineiro/Capixaba que busca a inatingível completude pessoal.

Autor(a): JOAO CARREIRO RIBEIRO (Carreiro)

APCEF/ES


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