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NA TUA PALMA
NA TUA PALMA
Te dei papel, amor meu,
e dele fizeste avião.
Entre teus dedos, gizes de cera
deram cor ao que ainda não tinha nome.
No papel, minha vida,
contornaste tua mão, sem saber
que eu já estava na tua palma,
a aplaudir, da coxia,
a primeira letra.
Entre linhas tortas,
costurei fatos e lembranças
que não se apagavam
nem se corrigiam.
Lês, olhos vidrados,
passeando pelas páginas,
apressados e atentos,
como quem ainda não sabe
o que procura.
Um dia, hás de me ler
sem saber ou sentir
que não inspiraste apenas um poema,
mas tudo aquilo
que em mim aprendeu a ter sentido.
Inspiração
Eu estava sendo à mesa. Duas cadeiras, ao meu lado, minha filha, de 7 anos, lia devotamente. Viajei naquela cena, lembrando dela aprender a desenhar e ler, a ter contato com o papel.
Sobre a obra
Eu vi a cena, e tentei transpor o que sentia nas palavras e versos - de forma livre. Ver uma filha ler foi uma das melhores sensações da minha vida.
Sobre o autor
Escrevo errante, domando palavras e pensamentos que surgem na mente - não são minhas, apenas coletei-as e pus na minha ordem.
Autor(a): FAUSTO DE ARAUJO NETO (Fausto de Araújo Neto)
APCEF/RN