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OYÁ LORE - UM VENTO FORTE
OYÁ LORÊ!
Não me venha com estreitas definições.
Sou búfalo.
Sou vento.
Sou borboleta.
Sou raio.
Sou metamorfose.
Minha vida é um vendaval
que se soltou
e segue transformando
tudo o que encontra
à sua volta.
Sou o que sou.
Sei quem eu sou.
E sei quem melhor sabe
o que eu sou.
Porque eu grito.
Rosno.
Mostro meus dentes.
Não me escondo
diante do medo.
Aprendi a olhar
com olhos
que atravessam mundos,
que enxergam
o que os olhos comuns
não alcançam.
Quem sou eu?
Eu sou Oyá.
Oyá Lorê!
Sou a Senhora
que nunca fica na superfície.
Não me contento com pouco.
Não permaneço onde tudo
parece já estar explicado.
Sou o movimento
que desarruma o mundo
para que ele possa
se refazer.
Sou Ré,
do vento louco.
Sou aquela
que mergulha
no olho,
no olho do olho,
do furacão.
E quando todos procuram
um lugar seguro
para permanecer,
eu avanço.
Porque sou vento.
Sou fogo do céu.
Sou tempestade.
Sou passagem.
Sou aquela que chega
sem pedir licença,
transforma,
derruba,
renova
e parte.
Quem sou eu?
Eu sou Oyá.
Aquela que não teme
a metamorfose.
Aquela que atravessa
o caos
sem perder o próprio nome.
Aquela que olha
para além dos mundos
e retorna trazendo
nos olhos
a força dos ancestrais.
Eu sou Oyá.
Oyá Lorê!
Inspiração
A inspiração nasceu da força mítica e ancestral de Oyá (também chamada Iansã), orixá dos ventos, das tempestades e da transformação. A poesia foi guiada pelo desejo de traduzir em palavras o movimento, a intensidade e a metamorfose que essa divindade representa. A ideia foi dar voz ao vendaval interior, ao poder feminino que não teme o caos e que e
Sobre a obra
A poesia é um canto de afirmação e identidade. Ela se constrói como um manifesto de força e liberdade, onde cada verso evoca elementos da natureza — búfalo, vento, raio, borboleta — para simbolizar a multiplicidade de Oyá.
Estrutura: versos livres, sem rima fixa, reforçando o caráter indomável da personagem.
Temática: metamorfose, coragem, ancest
Sobre o autor
Sou Carlos Alberto, Egbón Alaboji (O céu do povo negro), um ativista profundamente conectado com cultura afro-brasileira e à simbologia dos orixás. Minha escrita busca unir espiritualidade, poesia e identidade, trazendo para o papel a força dos mitos que atravessam gerações. Procuro dar corpo às vozes ancestrais, escrevivência em forma de palavras.
Autor(a): CARLOS ALBERTO ARAUJO DOS SANTOS (CARLOS ALBERTO ARAÚJO DOS SANTOS - EGBON ALÁBÓJÍ)
APCEF/BA