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Métrica Perfeita
Métrica Perfeita
Escrevo para explicar,
Dor, alegria, beleza e sentimento.
Descrever o céu, a luz, o sol e o tempo.
Mostrar as diferenças, questionar as crenças.
Criticar as injustiças, decifrar as falências,
Virtude, Amor, beleza, bondade, igualdade e certezas.
Busco a palavra perfeita, para chegar aos auspícios daquele que a aceita.
Mas a palavra perfeita deve se adequar à rima perfeita para alcançar a alma.
E à métrica perfeita para descer à mente. Daquele que lê sem se esconder do que sente.
Como uma corrida em que nunca se chega.
Uma escalada que não conhece o topo.
Uma vida que não encontra um fim.
Escrevo sobre um amor sem par, uma pena sem tinta, a luz sem a escuridão.
Procuro um sentido, na bruma que o sol não espanta, na neblina que não se levanta, na geada que o calor não dissipa.
Procuro explicar o amor que não se corresponde.
A fome que não é saciada.
O orgulho que não se esconde.
A dor de uma ausência forçada.
Como a lua que não volta à noite ou a folha que não caiu no outono.
Como o sol que a tempestade não esconde ou a semente que não germinou.
Mas falta uma rima, a métrica é quebrada.
Não chego na sílaba correta, no ritmo correto, na contagem…
Mesmo na madrugada,
Mesmo na solidão da calçada,
Na esperança que fugiu dos olhos, de alguém que viu o terror.
Mesmo emulando a falta do amor…
A palavra não vem, a rima não fecha, a métrica desaba.
Procuro a palavra perfeita, na rima coesa e na métrica justa.
A palavra perfeita me ajudaria a entender:
Os sentimentos, a beleza, a justiça, o sonhar e o sofrer.
Mesmo o clichê...
A palavra perfeita explicaria o amor perfeito, o perfeito amar, a sensação perfeita e o perfeito sentir, no fim, a vida perfeita o perfeito viver.
Mesmo o morrer...
Mas minha rima é quebrada.
Me falta métrica,
a palavra não vem,
o alivio não vem,
o sol não vem.
A neblina não vai,
a dor não vai,
a palavra não sai.
Contudo,
a palavra não pode mostrar.
É só espelho…
Inspiração
A agonia de escrever, como todo pretenso escritor.
Sobre a obra
O texto tem a pretensão de agir em Três niveis:
Literatura: Busca da técnica
Metalinguística: a quebra deliberada da técnica, como exemplo de si mesmo.
Filosófica: a busca existencial pela perfeição e pelo sentido das coisas.
Sobre o autor
Gosto de escrever desde menino, mas fiquei muito tempo sem escrever, agora estou tentando recuperar antigos hábitos prazeirosos!
Autor(a): ROBERTO FERNANDES JUNIOR (RobertoJr)
APCEF/MG
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