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O tempo
Tenho relógios pela casa
Relógios em todo lugar
Às vezes não servem pra nada
parece que estou sempre atrasada
chegando já no fim
É que meu tempo é pra mim
Tenho tempo pra dar, escolho onde por
Não tenho tempo pra gastar
com quem acha meu tempo ruim
ou acha que seu tempo é favor
No quarto, no punho, na cozinha
No tempo que passo sozinha
Nos tempos que ninguém vê
Cada minuto disputa corrida
Cada hora é menos uma hora de vida
ou mais uma hora de vida?
Cada vida ganha, passou
Cada minuto em que você não chegou
tenho que estar, não posso não existir,
desacelerar
Não posso dispensar esse presente,
desperdiçar
O tempo é luxo, não vai parar
E meu tempo
se alguém não quis receber,
tenho que continuar vivendo,
mesmo sem você
Vivendo só comigo
Um relógio interrompido,
o outro segue
O relógio dentro de mim, girando
e cada tempo que perco pensando
é um fio de cabelo branco,
uma linha na pele,
o viço que se perde
Cada minuto que me passa e me fere
Passou, não vai voltar: respirar e aceitar
Eu olho o tempo, olho o relógio
Mas não perco tempo sentindo ódio
Nunca, muito pelo contrário
E o tempo é meu calvário
Perco um pouco de tempo esperando, tudo bem
Senão não seria eu, não
Mas vivo, em negação, ou em diversão,
ou em desilusão, também
E a ilusão às vezes me faz companhia
enquanto a casa segue vazia
Mas eu sei, vou percebendo aos poucos
cada tempo seguinte, minuto, hora,
mês que passa, me mostra
que não se deve esperar uma resposta
Nem do tempo nem dos outros
(Mas minha cabeça é que nem o tempo,
não consegue parar)
Só me resta me conformar e espiar
os relógios pela casa, o tempo que passa
E tentar correr pra encontrar meu lugar
no tempo, no espaço que convém
Porque nunca vai haver outra de mim, pra mim
(Nem pra ninguém)
só essa que tem
Cada minuto a mais de vida,
é um minuto mais perto do fim
Inspiração
Reflexões sobre perda e ganho de tempo.
Sobre a obra
Poeminha com rima e tudo.
Sobre o autor
A ilustre escritora desconhecida que (quase) não escreve.
Autor(a): CHANDRA DE CARVALHO LASSERRE (Chandra Lasserre )
APCEF/BA
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