Cavalo de Tróia

Aqui está o presente que te dou:
sou eu, pode pegar.

Aqui está, um exterior remendado,
por dentro todo afiado,
pronto pra atacar.

Presente de grego.

Enfeitado, embrulhado,
embalado num sorriso,
cada pequeno trauma
um soldadinho inimigo
destruindo a cidade, a felicidade.
Matando a esperança, a possibilidade.

Cavalo de Troia.

Corrompendo o sistema,
trocando o sentido,
enchendo de ruído,
transformando em dor o poema,

(ou fazendo poema da dor?)

quieto, sem nenhum clamor,
a fortaleza queima,
a memória vai embora,

e o que resta agora?

A madeira estraçalhada,
a espada abandonada,
o guerreiro de si mesmo, só, derrotado.

Aqui estou eu,
o presente que te dou, quebrado.

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Inspiração

Reflexões sobre tragédias gregas. E troianas. E contemporâneas também.

Sobre a obra

Poeminha com rima e tudo.

Sobre o autor

A ilustre escritora desconhecida que (quase) não escreve.

Autor(a): CHANDRA DE CARVALHO LASSERRE (Chandra Lasserre )

APCEF/BA


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